Nessa última quinta-feira saímos às 5:45hs da manhã em direção à Marina Tauá onde depois de recolher o Eraldo na ACeAm encontramos a Luzeiro XXVI para a primeira grande viagem de teste até Manacapuru. Embora seja um município próximo a Manaus a "Princesinha do Solimões" fica às margens daquele altamente correntoso e traiçoeiro rio, com seus "rebojos" e as famosas toras de árvores que descem de "bubuia" rio abaixo. Manacapuru geralmente fica a umas sete horas subindo o rio.
Nessa jornada estávamos Landerson Santana, o novo diretor da ADRA Amazonas; Carlos Herrera, voluntário peruano; e minha família. Todos comandados pelo Eraldo que com anos de experiência e uma carteira náutica para provar assumia a responsabilidade do barco.
Saímos às sete da manhã e logo percebemos que a viajem seria longa. Embora temos um motor relativamente potente, o barco não desenvolve como uma lancha rápida e como está em fase de teste e ajustes não passava dos 14km/h.
Fomos viajando e criando uma pequena lista de coisas para arrumar. Um aperto aqui, um silicone ali, uma bomba a mais para garantir algo, etc. A lista ia crescendo a cada hora pois as coisinhas que se devem ajustar vão sempre aparecendo em um projeto como este.
Depois de umas cinco horas e meia sem surpresas decidimos passar de uma margem à outra para ganharmos tempo evitando uma larga curva. A travessia deveria tomar bastante tempo e então tranquilo, fui a um dos camarotes dentro do barco. De repente percebí que o barco subitamente parava e estava a dar voltas para a esquerda. Corrí para a cabine e o Landerson que estava no comando me informou que ele havia perdido completamente o leme.
Perder o leme não era algo que queríamos que acontecesse naquele momento e duas coisas imediatamente vieram à minha mente: já havíamos passado por Iranduba a uns 50 minutos antes e poderíamos ter tido auxílio ali; e estávamos sendo seguidos ao longe por um navio petroleiro e com certeza não queria ficar à deriva na frente dele.
Nosso sistema de leme não é muito complicado, praticamente é um braço hidráulico comandado pela roda que fica na cabine. Corrí para a pôpa do barco e abrí a tampa que esconde o mecanismo do leme para uma avaliação e percebí que o braço hidráulico estava completamente solto e forçando o mecanismo com as mãos poderia colocar o leme na posição central para que o Landerson e o Eraldo tentassem posicionar o barco perto de algum barranco. Depois de forçar o leme ao centro percebí uma porca solta no porão e com a mão tateei todo o fundo em busca das peças que haviam se soltado do basculante. Fui montando ali o suporte do braço avariado. Cinco minutos e 32 anjos depois o barco estava consertado e readquirido navegabilidade. Mas por causa da força da correnteza estávamos de volta na frente de Iranduba e já alcançados pelo navio da Petrobras que nos passou deixando um grande "banzeiro" que fez a Luzeiro balançar bastante.
Passado o susto continuamos a viajem sem maiores surpresas. Foi gostoso passar por alguns lugares que antes passávamos como pastor distrital de Manacapuru. Lá pelo pôr-do-sol passamos pelo Arapapá e pela Bela Vista, lugares que já ficaram no coração da gente pelos desafios da época. Uma vez remei rio acima com o Alcides quando o 15 dele quebrou voltando de um batismo no Arapapá e indo para outro. A nostalgia do pôr-do-sol Amazonense ia já deixando saudades.

A Ivana tirou essa foto do entardecer e quando já estava escuro e já podíamos ver o clarão de Manacapuru um alarme no painel indicava problemas na casa de máquinas. Depois de verificar entendemos que o nível de óleo do motor havia baixado muito e poderíamos danificar o motor. Com dificuldades por causa dos redemoinhos conseguimos chegar à margem. Como os celulares já alcançavam Manacapuru pedimos auxílio ao Orlem e Darimar que prontamente nos socorreram. Já era noite e o Orlem estava em casa na frente de um prato de macarrão quando nós ligamos. Ele correu com um barco ao rio para nos rebocar pois na manhã seguinte iríamos ver o que havia acontecido. O Orlem e a Darimar sempre foram o tipo de pessoas que nunca mediram esforços para ajudar. Posso mencionar tantas outras pessoas que Deus permite que através delas recebamos as suas bênçãos, mas este casal desde que chegamos em Manacapuru foram água fresca em meio ao deserto.
Na manhã seguinte deixamos o barco funcionando, o alarme havia sido algo menor, mas valeram as lições:
Ao sair oramos pela proteção divina e Deus nos levou à Manacapuru com segurança. O maior imprevisto foi solucionado em poucos minutos e o último problema aconteceu quando estávamos a poucos kilômetros de Manacapuru onde os celulares já funcionavam.
Nosso trabalho agora é fechar os detalhes para que a Luzeiro XXVI seja mais “reliable” e evite essas falhas. Oremos por esse projeto divino.
Na manhã seguinte quando encostamos a Luzeiro XXVI no flutuante em Manacapuru as pessoas pararam para ver o barco. Muitas pessoas falavam da beleza do barco e outras perguntavam de que igreja era. Mas escutei um rapaz emocionado falar da experiência que ele teve com uma Luzeiro no passado e outros orgulhosamente dizerem que já haviam sido batizados “na adventista”!
Deus tem utilizado diferentes meios para alcançar Seu povo no Amazonas, as lanchas são um dos meios que proporciona esse encontro e com certeza muita aventura!